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Children At Play: An American History

Even in these days I’m reading a brilliant book wrote by Howard Chudacoff, Professor of American History at Brown University. The author presents a deeply detailed and very serious investigation about play activity in American during the last centuries. 

This book can prove that, contrary to what I thought, it is possible to build an history of childhood through primary sources (dozens of children’s diaries, hundreds of autobiographical recollections of adults, and wealth of child-rearing manuals). 


Find the table of contents at this link

And the Introduction at this link

Enjoy the great conference about the book's contents here:

Crafting the future - 10th European Academy of Design Conference - April 17-19 2013 Gothenburg

During the last week I have been in Gothenburg participating in the 10th European Academy of Design Conference - Crafting the future. There I presented an article about architectural toy design (Design education through toy design. Old and new paradigms in architectural toys design) and it was quite good because the feedback I received from the audience. Sincerely, and someone told me the same, the presentation was much more rich and clear than the paper, both because the paper was written in September (almost 8 months ago) and since that my research advanced a lot in several directions and because I could transmit my really passion for the issue. Indeed it was a really important effort in order to organize a little more this huge field of knowledge.
Anyway, the interesting thing was that during the final lecture the keynote speaker Otto von Busch from Sweden (Co-craft and The Capabilities of Industriousness) spoke also about the main importance of toys and craft activities in the educational processes. So I felt really “on the edge”!
You can find below the slides of my final presentation.

Roland Barthes - Brinquedos (em Mitologias)

O adulto francês considera a criança como um outro eu; nada o prova melhor do que o brinquedo francês. Os brinquedos vulgares são assim, essencialmente, um microcosmo adulto; são reproduções em miniatura de objectos humanos, como se, para o público, a criança fosse apenas um homem pequeno, um homúnculo a quem só se pode dar objectos proporcionais ao seu tamanho.
As formas inventadas são muito raras; apenas algumas construções, baseadas na habilidade manual, propõem formas dinâmicas. Quanto ao restante, o brinquedo francês significa sempre alguma coisa, e esse alguma coisa é sempre inteiramente socializado, constituído pelos mitos ou pelas técnicas da vida moderna adulta: o Exército, a Rádio, o Correio, a Medicina (estojo miniatura de instrumentos médicos, sala de operação para bonecas), a Escola, o Penteado Artístico (secadores, bobes), a Aviação (pára-quedistas), os Transportes (trens, citroens, lambretas, vespas, postos de gasolina), a Ciência (brinquedos marcianos).
O fato de os brinquedos franceses prefigurarem literalmente o universo das funções adultas só pode evidentemente preparar a criança a aceitá-las todas, construindo para ela, antes mesmo que possa reflectir , o álibi de uma natureza que, desde que o mundo é mundo, criou soldados, empregados do Correio, e vespas. O brinquedo fornece-nos assim o catálogo de tudo aquilo que não espanta o adulto: a guerra, a burocracia, a fealdade, os marcianos, etc. Alias, na realidade, não é tanto a imitação que constituí o signo da abdicação, mas sim a literalidade dessa imitação: o brinquedo francês é, em suma, uma cabeça mirrada de índios Jivaro – onde se reencontram numa cabeça com proporções de uma maçã, as rugas e os cabelos adulto. Existem, por exemplo, bonecas que urinam : possuem um esófago, e se lhes dá mamadeira, molham as fraldas; sem dúvida, brevemente, o leite transformar-se -á em água, em seus ventres. Pode-se, desta forma, preparar a menina para a causalidade doméstica, “ condicioná-la” para a sua futura função de mãe. Simplesmente, perante este universo de objectos fiéis e complicados, a criança só pode assumir o papel de proprietário, do utente, e nunca, o do criador; ela não inventa o mundo, utiliza-o : os adultos preparam-lhe gestos sem aventura,sem espanto, e sem alegria. Transformam-na num pequeno proprietário aburguesado que nem sequer tem de inventar os mecanismos de causalidade adulta, pois já lhes são fornecidos prontos: ela só tem de utilizá-los, nunca há nenhum caminho a percorrer. Qualquer jogo de construção, se não for demasiado sofisticado, implica um aprendizado de um mundo bem diferente: com ele a criança não cria nunca objectos significativos; pouco lhes importa se eles têm um nome adulto: o que ele exerce não é uma utilização, é uma demiurgia: cria formas que andam, que rodam, cria uma vida e não uma propriedade; os objectos conduzem-se a si próprios, já não são uma matéria inerte e complicada na concha da mão. Mas trata-se de um caso raro: o brinquedo francês,de um modo geral, é um brinquedo de imitação, pretende formar crianças-utentes e não crianças criadoras.
O emburguesamento do brinquedo não se reconhece só pelas suas formas,sempre funcionais, mas também pela sua substância. Os brinquedos vulgares são feitos de uma matéria ingrata, produtos de uma química, e não de uma natureza. Actualmente muitos são moldados em massas complicadas: a matéria plástica tem assim uma aparência simultaneamente grosseira e higiénica, ela mata o prazer, a suavidade, a humanidade do tacto. Um signo espantoso é o desaparecimento progressivo da madeira, matéria um tanto ideal pela sua firmeza e brandura, pelo calor do seu contacto; a madeira elimina, qualquer que seja a forma que sustente, o golpe de ângulos demasiado vivos, e o frio químico do metal: quando a criança manipula, ou bate com ela onde quer que seja a madeira não vibra e não range, produz um som simultaneamente surdo e nítido; é uma substância familiar e poética que deixa a criança permanecer numa continuidade de tacto com a árvore a mesa, o soalho. A madeira não magoa, não se estraga também; não se parte,gasta-se, pode durar muito tempo, viver com a criança,modificar pouco a pouco as relações entre o objecto e a mão ; se morre, é diminuindo,e não inchando com esses brinquedos mecânicos que desaparecem sob a hérnia de uma mola quebrada. A madeira faz objectos essenciais, objectos de sempre. Ora,já praticamente não existem brinquedos de madeira, esses ‘redis dos Voges’ [1],só possível, é certo, numa época de artesanato. O brinquedo é doravante químico, de substância e de cor; a própria matéria- prima de que é construído leva a uma cinestesia da utilização e não do prazer. Estes brinquedos morrem, aliás, rapidamente,e , uma vez mortos, não têm para a criança nenhuma vida póstuma.


Barthes, Roland. Brinquedos. In: Mitologias. São Paulo: Diefel.1982. Pp. 40-2

Creditos: http://pequenidades.blogspot.pt/

The Toy and the Sociology of Childhood

Gilles Brougere - Professor of Education Sciences; University of Paris-Nord, Paris, France

From the article: "It may seem strange, on two counts, to speak of childhood and sociology in the same breath. Firstly, the toy is more commonly studied in relation to the child’s psychology and secondly the sociology of the child is noticeable for its absence, especially in France. The result is that the toy tends to be studied as a child’s tool, an instrument in its development, incorporated in the individual dynamics which enable the child to emerge from childhood!
Our purpose here is, in a sense, quite the opposite: we wish to apprehend how the toy leads the child to be a child, to affirm itself socially and culturally as such, to see how it contributes to producing the childhood of our societies. To this end - and despite the paucity of the literature in this field - we need to approach the subject from a sociological and not a psychological point of view.
The sociology of childhood (to which I hope to contribute through this address) has as yet been little explored, interest being most marked in England. We shall use three different ways of considering the social dimension of the toy as a vehicle for advancing a synthesis of different works, including our own, but more particularly for proposing a programme which, we hope, will form the basis of future work."

Artigo completo aqui

Walter Bejamin e os brinquedos

Estou a ler "Reflexões: a criança, o brinquedo, a educação" de Walter Benjamin. Uma recolha de textos do filósofo alemão da editorial brasileira Summus (São Paulo,1984). No texto "História cultura do brinquedo", escrito em 1928, encontrei este paragrafo particularmente esclarecedor do meu interesse em relação aos brinquedos de arquitectura:

"Mas certamente jamais se chegaria à realidade ou ao conceito do brinquedo se se tentasse explicá-lo unicamente pelo espírito das crianças. Se a criança não é nenhum Robinson Crusoe, assim também as crianças não constituem nenhuma comunidade isolada, mas sim uma parte do povo e da classe de que provém. Da mesma forma seus brinquedos não dão testemunho de uma vida autónoma e especial; são, isso sim, um mudo diálogo simbólico entre ela e o povo".