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FAUP/Mattel Barbie house competition

During the last year Mattel corporation challenged me and the Faculty of Architecture of the University of Porto to organize a design competition for the new Barbie Dollhouse. In 2013 Barbie doll was looking for a new house (that was the 2013 Barbie's story...) and Mattel knew about my investigation and my course architectural toy design at FAUP So they mail me and I thought was a good opportunity for students thinking about a very particular object as a dollhouse. So we create a competition that, for logistical reasons, was limited only to FAUP students.
The jury was composed by Prof.ª Maria Madalena Ferreira Pinto da Silva (From FAUP), Prof. Juan Bordes (From Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Madrid), Arqº José Mateus (From Trienal de Arquitectura de Lisboa & ARX Portugal), Arqº Virgínio Moutinho and Sally Eagle (from Mattel corporation).
Many delivered proposals proved great creativity and very good design skills. Some models was very well produced, with good techniques and details.
The three first proposals (that deserved the prizes offered by Mattel Company) represent three different dollhouses design paradigms: the first for its flexibility and imagination potentiality, the second for its ability in space creation and the third for its possibility of forms manipulation.

I'm now thinking about a larger scale competition for the next year...any suggestions?

Here some proposals:
1º classified
The first place went to this dollhouse that leave the kids totally free to custom the play environment. It is a simple scenario where you can use photos, magazine pages or even sketches to crate a familiar or a completely new layout. Behind that it is both for male or female use because you can create a dollhouse or a garage, a space station or a natural surrounding. It is also the easier and cheapest model and idea.

2º classified











The second place went to a proposal that bet on space creation. This cube can be opened creating several different rooms and outside spaces. Its architectural language is quite contemporary and it is big enough to allow kid "feel" the space proportions and characteristics.

3º classified
















The third place is almost a wire-frame structure that can be manipulated creating several different shapes and houses. Beyond that kids can put objects or setting in order to create different environment. It is quite elegant and simple and, for that, with a great creative potential.

4º classified











5º classified
6º classified

7º classified
8º classified
9º classified
10º classified

Barbie Dream House

Em Abril publiquei um post sobre a recente decisão da Mattel em criar uma Barbie arquitecta no seguimento da operação “I can be…” - pouco tempo depois a produtora de brinquedos norte-americana ter anunciado que a “carrer of the year 2011” seria, justamente, arquitectura, associando-se à AIA (American Institute of Architects) na promoção de um concurso chamado “Architect Barbie Dream House Competition”.


A ideia de uma casa para a Barbie não é certamente nova, já na década de 1960 havia a possibilidade de comprar uma verdadeira mansão ricamente mobilada e com todos os luxos para a boneca que, na altura, simbolizava a sociedade de consumo, a modernidade e a emancipação da mulher. Desta vez a Mattel promoveu o lançamento do concurso na tentativa de contrariar as notícias embaraçosas que, em Junho de 2011, tinham sido divulgadas pela organização não governamental Greenpeace.  No dia 7 os activistas desenrolaram da cobertura das instalações da Mattel na California enormes cartazes onde aparecia Ken de cara triste que declarava “I don’t date girls that are into deforestation”. A acusação da Greenpeace tinha a ver com o facto da Mattel ter comprado a materia-prima para as suas embalagens da companhia Asia Pulp and Paper (APP), do grupo Sinar Mas. Este grupo foi acusado, sempre pela Greenpeace, de ser o maior destruidor da floresta virgem da Indonésia. No seguimento destas acusações, as empresas Carrefour, Staples, Office Depot e Woolworths pararam de comprar o papel da APP.


Com uma manobra que pretendia ser moralista, ecologista e comercial ao mesmo tempo a Mattel promoveu um concurso baseado em valores contemporâneos tais como a diversão, a moda e a natureza, sem esquecer o conforto para uma vida moderna. No edital do concurso era pedido um projecto para uma “Barbie Dream House” com algumas caracteristícas específicas: “A sleek, smart home office is important for any doll. With more than 125 careers, I need a spacious office that can accommodate my hi-tech gadgets for meetings, client visits and presentations. I love to entertain so I need living and dining areas that are open and connected allowing for mingling and easy entertaining from one room to the other.
The kitchen should be functional and fabulous with top-of-the-line appliances—large countertops and lots of space to cook. I also love natural light in my kitchen so windows are critical. I am quite the chef you know! 
As the original “fashionista,” you can imagine how large my closet needs to be! I have unlimited fashions and accessories, so I need lots of shelving, shoe racks and a closet that can be easily organized - getting ready can’t be a chore every day.
My dream bathroom: a large, stylish space accessible from the master bedroom and other areas.
I love animals and I have as many as five pets (including a giraffe) around at any given time. A big backyard is very important so they can roam and play! (...)” enfim, não podia faltar mesmo nada.

Entre as trinta propostas que foram entregues, a Mattel elegeu as cinco que ficaram a disputar o primeiro lugar através de votação pública na qual participaram 8.470 entre adultos e crianças. Ganhou a dupla composta pelas arquitectas Ting Li e Maja Paklar com uma casa altamente ecológica. Na memória descritiva do projecto as autoras afirmavam que “Barbie is on a mission to set an example to be sustainable wherever she can. Her house proudly utilizes solar panels, operable shading devices, low flow bathroom fixtures, energy saving light fixtures, and efficient HVAC equipment. The house occupies minimum footprint as it cantilevers over a bluff, she landscapes her yard, roof and terraces for cooling and visual effects. In order to reduce CO2 emission, Barbie opts to ride her Pink Vespa around town instead, and if she needs to haul her shopping bags, Ken is never far behind in his convertible”. A casa chega a respeitar os padrões do USGBC, o U.S. Green Building Council.

A proposta vencedora
Esta iniciativa lembra, com outros protagonistas e noutro contexto, uma história que já tive oportunidade de contar neste blog e que aconteceu em 1983 com a revista Architectural Design quando esta resolveu lançar um concurso para uma casa de bonecas.

Apesar de não conhecer todas as outras propostas, não acho a vencedora particularmente interessante. Todavia tenho que admitir que, no contexto de uma "cultura Barbie", consegue despertar para alguns dos aspectos centrais da arquitectura. A criação de espaços e a sua adequabilidade ao programa, a articulação de vários compartimentos, a implantação no lote e, claro, a pegada energética da casa, são todas questões que são levantas e apontadas pelo projecto de Ting Li e Maja Paklar.

Duas proposta excluídas

E o que podemos pedir mais de um brinquedo se não o de despertar a curiosidade das crianças sobre alguma coisa? De pó-las a pensar de forma diferente sobre um objecto tão comuns e, aparentemente, tão banal como a casa?

Isto é o papel e a responsabilidade de um “architectural toy”.

Mais uma archistar: a Barbie architecta

Finalmente é oficial: a boneca Barbie, que apesar de ter 52 anos de idade continua linda, com um peito firme e sem um vestígio de celulite, terá, neste Outono, a sua versão arquitecta.
Óculos de massa, capacete, maqueta e rolo com desenhos técnicos são os acessórios que a Mattel achou mais pertinentes para uma arquitecta que, para a felicidade dos trolhas, visita as obras de saia curta e botins pretos. Os piropos não faltarão.

A história não é curta e, tão pouco, simples, pois é desde o ano 1959 que a Barbie foi construindo um currículo profissional impressionante com mais de 120 ocupações diferentes: começou por ser, entre outras coisas, bailarina, babysitter ou astronauta. A partir da década de 1970 ganhou novos papéis como cirurgiã, médica, embaixadora ou ainda ginasta ou paleontologista (os curiosos poderão encontrar uma lista completa das profissões e dos respectivos anos de lançamento na Internet).

Em 2001, a Mattel promoveu a operação “I can be…”, que lembra vagamente um famoso slogan eleitoral norte-americano, através da qual recolhe os votos e as ideias de milhões de adeptos da Barbie. Surgem novas profissões ou novas versões de profissões já existentes: motorista de autocarro, veterinária ou pediatra. A lista é extensa mas, em mais de cinquenta anos de vida profissional, a Barbie nunca tinha sido arquitecta.

Esta falha ainda existiria se não fosse o empenho de Despina Stratigakos, historiadora do Departamento de Arquitectura da Universidade de Nova Yorque e autora do galardoado livro “A Women's Berlin: Building the Modern City”. Em 2007 Stratigakos chega a organizar uma exposição com o título “Architect Barbie” onde são expostas várias bonecas que representam outras tantas variações sobre o tema profissional da arquitectura. A autora lamenta o facto de, apesar das mulheres representar em mais de 40% dos estudantes do curso de Arquitectura, as mesmas representam só 13% na vida profissional. No documento que acompanha a exposição, a Stratigakos lança um claro apelo: "As a scholar and educator deeply concerned with making architecture not only relevant to little girls, but also women relevant to architecture, I hope to persuade Mattel to reconsider the viability of Architect Barbie."
Mais tarde, em 2010, surge a oportunidade que Despina esperava: a Mattel promove outra edição da operação “I can be…” para que o público escolha mais uma profissão para a Barbie ( a 125ª). Para não perder esta oportunidade, a Stratigakos juntou-se a Kelly Hayes McAlonie, presidente do AIA (National Professional Association of Architects) em Nova Iorque e biografa de Louise Bethune (a primeira arquitecta norte-americana) para fazer uma campanha a nível planetário. Apesar de não terem conseguido que a Barbie arquitecta ganhasse (ganhou a engenheira informática), foram tantos os votos recolhidos  e os meios mobilizados que a Mattel pediu às duas que colaborassem na criação desta profissão.
Assim, em Fevereiro deste ano, durante a Feira do Brinquedo de Nova York (a mesma que serviu, em 1959, para lançar a boneca) a Mattel anunciou que no Outono de 2011, passados 52 anos desde a sua premeria versão, irá ser posta à venda a Barbie arquitecta.

Será o caso de dizer que o desemprego não poupa ninguém…

É menino ou menina?

“Até gostava de ter tido um rapaz, sabes como é... para brincar com carrinhos e coisas destas... coisas de meninos.”
Mas será mesmo assim? Será assim tão certo que as raparigas, só por questões de código genético, não podem aprender a conduzir em condições, a jogar futebol ou a passar uma tarde de domingo num torneio de PlayStation? Ou que os rapazes não podem aprender a cozinhar, a mudar uma fralda ao Nenuco ou a decorar a casa com o mesmo gosto de Martha Stewart?

Um artigo no último número da revista Mind da Scientific American (3/2010) defende uma coisa completamente diferente: o cérebro das crianças não possui, logo à nascença, uma diferenciação tão acentuada entre os sexos, em termos cognitivos. São os educadores que incutem, desde a mais tenra idade, os comportamentos socialmente estereotipados para cada sexo.
O estudo de John Archer, da Universidade do Lancashire, afirma que existem, de facto, algumas pequenas diferenças derivantes da carga hormonal que o filho recebeu no ventre da mãe, mas que a cultura dos educadores é, sem dúvida, quem as amplifica criando uma clivagem comportamental. Em suma, a diferenciação social entre sexo é uma questão mais ligada a uma herança cultural, e por isso considerável artificial, do que a uma real diferença biológica ou, em geral, natural.

Estes resultados são particularmente interessantes sobretudo quando é opinião corrente que as meninas são mais calmas do que os rapazes (falso: a agressividade feminina é menos tolerada do que a masculina); ou quando, em geral, se atribui ao sexo todo um conjunto de diferentes características comportamentais ou mesmo biológicas (falso: é verdade que o cérebro dos rapazes é maior e que o das raparigas acaba de crescer antes, mas nenhum destes fenómenos se encontra relacionado com a maior actividade física dos rapazes ou com a maior capacidade linguística das raparigas).

O assunto interessa-me na medida em que acredito na importância de uma educação dirigida (e claro, baseada em brinquedos escolhidos) para o crescimento intelectual do sujeito. Não acredito numa espécie de tácito acordo social que obriga cada sexo a ficar no seu lugar. Um lugar consagrado por uma tradição centenária que pouco ou nada, como vimos, tem a ver com reais diferenças comportamentais ou físicas. Este pode ser um primeiro passo para uma visão social baseada numa segregação que remete para supostas clivagens naturais. Começando assim poderemos voltar a acabar como Lombroso, médico italiano do século XIX, que defendia que pela análise de determinadas características físicas do sujeito, podia-se antever o seu futuro como delinquente. Lombroso aconselhava, então, que este tipo de sujeito fosse eliminado antes de resultar nocivo para a sociedade...

A teoria, se aceite, significa uma coisa só: a responsabilidade dos educadores vai além da força da carga genética. Ter um menino não significa necessariamente tê-lo a saltar por cima dos móveis ou a jogar a bola de chuteiras por cima do soalho da sala de um terceiro andar. Da mesma maneira não é forçosamente verdade que uma rapariga seja incapaz de construir uma escavadora com os Legos ou de conseguir o primeiro lugar em Need for Speed Nitro da PlayStation III.

Em suma, esta linha teórica questiona os limites, as fronteiras entre sexos e, além disso, a importância da educação. A sociedade já mudou muito, as diferenças entre homens e mulheres são muito menores do que eram há só dez ou vinte anos atrás. Muitos educadores ainda não se deram conta destas alterações e continuam, com prejuízo dos próprios filhos e de todos nós, a criar indivíduos formatados para uma sociedade que já não existe. E pensar que, já em 1985, a Barbie astronauta andava pelo espaço fora e, em 1973 a Barbie cirurgiã operava o Action Man ...